Enquanto isso, no ginásio da escola…
Posted on May 8, 2010
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O caixão foi colocado no centro do ginásio. Nas arquibancadas, aquele silêncio. Centenas de pessoas sentavam na arquibancada. “Coitadinha dela”, era o que mais se ouvia nos burburinhos. Os repórteres, sentados próximo ao caixão, não deixavam de notar aquele clima mórbido naquela escola. Entre eles, mais burburinhos: “Não é sempre que uma menina é encontrada morta no vestiário da escola, não é?”.
Próximos ao caixão estavam o diretor, diversos professores e uma outra menina, da mesma idade da que jazia naquele caixão. Era a única que não chorava. Aparentava raiva. Olhava para a arquibancada como se fosse jogar uma bomba em todo mundo. Os pais estavam ao lado dela, choravam, e sibilavam “Por que isso foi acontecer? Por que?”. Quando a presidente da turma foi entregá-los uma lembrança sobre o quanto gostavam da menina, a colega, que queria matar a todos, fuzilou-a com os olhos. A dondoca saiu correndo, com medo de morrer.
O diretor se aprontou para dizer algumas palavras sobre a menina. No discurso estava algo como “Todos a amavam”, “isso é uma tragédia”, “rezemos para que descanse em paz” e outras bobagens. Não que ela achasse a morte da amiga uma bobagem, mas tudo aquilo, toda aquela encenação, uma bobagem. Antes do diretor, ela se dirigiu até o microfone e falou, com uma voz doce e sutil.
- Vão se foder todos vocês, idiotas.
Até os burburinhos cessaram. Os repórteres fizeram cara de espanto e viraram-se para ela. Que continuou a dizer.
“Isso é tudo culpa de vocês, e agora ficam fazendo essa ceninha”, vociferou. “Quem aqui sabe a cor preferida dela? Quem aqui alguma vez falou alguma coisa decente com ela?”, e fuzilou a presidente da turma. “Tu, sua vaca, ficava o tempo todo chamando ela de gorda estúpida”. A fuzilada encolheu os ombros. “E tu, seu filhinho de papai hipócrita. Fica chorando dizendo que gostava muito dela, mas a convidou para sair e simplesmente largou ela no meio do caminho após ter transado no banco de trás do carro”.
Os pais da vítima se voltaram contra o rapaz. O menino estava se mijando nas calças. “Tudo isso porque ‘não seria muito legal para o cara mais popular da festa ser visto com a menina cdf do colégio”, esbravejou.
A menina continuou a desfiar “elogios” para os “bondosos colegas”. Mas se cansou. Virou para o diretor e gritou. “Seu filho da puta. Sabia muito bem o que todos faziam e nada fez para mudar a situação”. O diretor abriu o colarinho da camisa e suava como um porco. “‘É coisa de adolescente’, foi o que tu sempre disse. Mas na verdade, não queria expulsar o queridinho ali, porque vocês têm um caso. Tudo bem ser veado, mas precisava ser pedófilo?”.
Alguns risos contidos dos repórteres. Do restante, apenas perplexidade. “Agora ficam aí, querendo aparecer de pessoas que gostavam dela. Ninguém aqui gostava dela. Em vez de um caixão, era preciso ter mais: mas com os corpos de vocês, em vez do dela”, sentenciou e depois calou-se.
Foi até o caixão e sussurrou algumas palavras. “Conseguimos”, e sorriu. Finalmente, a amiga vai ficar descansada.
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One Response to “Enquanto isso, no ginásio da escola…”
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Muito boa a história, ela ti prende e ti consegue passar a raiva da guria…e no final nos impressiona. Parabés Dias, teus textos são demaiss!! Continue assim (: