Em legítima defesa
Posted on September 1, 2009
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Ele estava em seu quarto. A televisão não estava muito alta. Foi assim que pôde ouvir aquele baque de leve em um cômodo próximo.
O nervosismo percorreu pelo seu corpo. Não sabia o que fazer. A única coisa que soube fazer naquele momento foi vestir seu pijama: estava calor, mas caso algo de ruim acontecesse, não queria ser pego desprevinido: estaria vestido.
Saiu do quardo com todo o cuidado possível. Em sua mão direita, aquela arma. Aquela arma que sua esposa e seus filhos – principalmente eles – odeiam. Mas como ele sempre dizia: “É um mal necessário”. E agora ia provar à eles.
Olhou discretamente para o outro cômodo. Este cômodo era o escritório. Ao ver seu computador ligado, percebeu que alguém estava ali.
De leve, entrou com todo o cuidado. O objetivo era surpreender o inimigo. “Uma entrada tática”, era o que dizia a si enquanto executava seu plano. Ouvira muito esse papo de “entrada tática” enquanto fazia suas reportagens, e decidiu fazer o mesmo.
Olhou o inimigo. Observou com cuidado todos os seus movimentos. Ele estava escorado na parede.
A cada passo, a respiração diminuía. Não queria assustá-lo. Queria, de acordo com a “entrada tática”, pegá-lo de surpresa.
“BAM”, foi pela primeira vez. O inimigo saiu de perto e foi para outro canto. “BAM”, mais uma vez. E nada.
O inimigo permaneceu ali, olhando-o atento. “BAM”, “BAM”, “BAM”, fazia a arma. Mas tudo sem sucesso.
O suor percorreu seu rosto. Suas costas estavam encharcadas. E o nervosismo insistia em atrapalhar aquele momento. Foi quando inspirou o máximo que pôde e disse “Agora tu vai ver, cretinoooooooo!”.
“BAAAAAAAAAAAAAAAM”.
O corpo caiu lentamente, escorado pela parede. Com os barulhos e gritos, os dois filhos e a esposa estavam na porta do escritório.
- O que foi que aconteceu? – perguntou a esposa.
- Ele… ele… ele me atacou! – disse de maneira ofegante.
Conseguiu ver os rostos de seus filhos espantados. Eles, com medo, abraçaram-se à mãe.
- Amor, vai lá. Traz o papel higiênico…
A mulher não fez cerimônia. Em pouco tempo, trouxe o que lhe fora pedido.
- Maldito gafanhoto. Agora ele vai pro vaso se juntar com as baratas de ontem.
Tomou um banho longo e foi dormir. Só esperou não ter nenhum pesadelo. Afinal, ação foi em legítima defesa.
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