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	<title>Etcetera e tal &#187; Contos</title>
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	<description>Um pouco sobre tudo</description>
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		<title>Prisioneiro</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Sep 2010 22:06:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Dias</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não consigo mais vê-la, mas ela pensa que não me recordarei daqueles poucos segundos em que pude visualizá-la por inteiro. Aquela suavidade excitante nos movimentos, enquanto eu permanecia deitado na cama daquele motel nada barato em que fomos. Belas lembranças de uma bela – e safada – mulher. Como não se excitar com aquela ruiva, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não consigo mais vê-la, mas ela pensa que não me recordarei daqueles poucos segundos em que pude visualizá-la por inteiro. Aquela suavidade excitante nos movimentos, enquanto eu permanecia deitado na cama daquele motel nada barato em que fomos. Belas lembranças de uma bela – e safada – mulher.</p>
<p>Como não se excitar com aquela ruiva, de cabelos longos, e cara que seduz qualquer cara? Ainda mais quando está apenas de sutiã, um pedaço de seda em volta da cintura, sem a calcinha, e uma liga desse pano macio indo até as meias, que vão até a metade da coxa? Quem não endurecer, ou não gosta de mulher, ou esqueceu de tomar o Viagra naquele momento.</p>
<p><span id="more-1048"></span></p>
<p>Os olhos! Ah, que olhos. Olhos castanhos, que às vezes ficam verdes, dependendo do ângulo em que a luz incide sobre a íris, surgiram do nada pela parte dos pés do colchão. As mãos, deslizando pelo lençol e os seios tocaram de leve as pontas dos meus pés. Eu estava deitado, com a cabeça repousada em dois travesseiros. Tudo isso para vê-la, me excitando sem me estimular diretamente no meu sexo.</p>
<p>Uma gata. Era isso que ela era naquele momento, uma gata incorporada em um corpo de mulher. Pois não é possível descrever qualquer outro animal que consiga ter uma desenvoltura delicada como a que ela teve durante os poucos minutos que se encaminhou até mim, de quatro. E como não sentir o sangue correr e as veias latejarem com uma mulher que, aos poucos, olha para o teu corpo, roça aqueles seios, firmes, redondos, em forma de maçãs perfeitas? E quando, depois de deixá-lo ali, a milímetros da barriga dela, joga os cabelos para trás – ficando irregulares nos lados do corpo – e solta aquele gemido delicioso, seguido de um sorriso malicioso enquanto tu estás de boca aberta? Tem como? Se tiver, não me explique, porque eu quero me excitar.</p>
<p>Mas ela é safada. Se enquanto está de roupa, sentada contigo, em um bar, parece apenas uma menina normal, na cama ela mostra que tu estás redondamente enganado.</p>
<p>O balançar do quadril, que tu só consegue ver de um lado para o outro porque ela empina a bunda vez ou outra, friamente calculada, como uma serial killer do sexo. A cada movimento, a cada olhar, a cada sorriso, um palpitar maior em meu coração – e um estouro de excitação.</p>
<p>Tudo isso durou menos de dois minutos, e eu já estava ali, sem saber o que fazer. Controlando o desejo de gozar naquele corpo que só não é mais perfeito porque a minha imaginação é fértil demais. E pensar que eu demorei todo esse tempo para, finalmente, ter coragem de dizer tudo isso que eu queria fazer com ela. Ô, timidez desgraçada, essa.</p>
<p>De súbito, ficamos rosto a rosto. Eu estava ofegante. Ansioso. Com medo. E ela gostava disso tudo. Ela, que estava ali, de quatro para mim, sentada um pouco a frente do meu sexo, deixando-o roçar no encontro de suas nádegas, louco para gozar ali mesmo, assim, sem mais, nem menos.</p>
<p>“Mas é uma puta”, eu pensei. Mas só pensei. Só que ela deve ter descoberto o meu pensamento. Pois veio, lentamente, se aproximar de mim, dando-me um selinho, que muitos, em ocasiões nada especiais, achariam um lixo. Eu não achei. Nem o meu pau. Enfim, ela sabe como deixar um cara louco, né?</p>
<p>Meus olhos corriam daqueles lábios para os olhos. Encaravam aquela língua, que era mordida libidinosamente pelos dentes perfeitos, e depois se deparavam com aqueles seios. E minhas mãos loucas para apalpá-los, mas não conseguiam. Eu pensava que eu estava paralisado de tanto tesão, mas não.<br />
Como uma policial, prendeu-me na cabeceira da cama. Cada pulso ali, envoltos por um pano preto, que eram ligados àquela armação de metal. Agora entendi porque ela insistiu tanto em escolher aquele motel. “Vadia”, é isso que pensei dela. “Gostosa”, foi isso que a cabeça ali de baixo pensou. Claro, não era ela quem estava na situação: ela podia ver aquilo que eu queria colocar a minha língua.</p>
<p>O riso. Ah, o riso. Eu ficaria com medo se não estivesse excitado. Cada respirada, cada risada maliciosa, era um pulsar mais forte em meu peito e um latejar mais solto ali, livre.</p>
<p>Sentada sobre o minha barriga, deixou seu troco ereto. Eu pude vê-la, da cintura até o rosto, que me fitava com uma cara de alguém que conseguiu tudo o que queria. Tornei a baixar meus olhos, para tentar vislumbrar um pouco mais daquele corpo e descobrir um pouco mais do que estava sem nenhuma vestimenta. Mas ela não deixou. A vadia não deixou. Pois o quadril estava mais para trás, proibindo eu finalmente descobrir como é o desenho dos pelos dela ali. Se é que ela tem pelos ali.</p>
<p>Vaca.</p>
<p>As mãos, que estavam em suas coxas, foram até as costas. A adrenalina percorreu pelo meu corpo. Até que, enfim, alguma coisa eu poderia ver. Poderia sanar a dúvida de como que são os bicos de seus seios e como são as manchas que o envolvem. Só que, como toda gramática, o poderia se remete ao futuro do pretérito, não? Então, eu só PODERIA ver, mas não vi.</p>
<p>Isso tudo porque ela tirou, de trás das presilhas do sutiã, outro pedaço preto de pano. Além disso, a vagabunda me mostrou aquela longa tira e deu uma gargalhada, gostando de me torturar.</p>
<p>Ficou novamente de quatro e, suavemente, as coxas ficaram ao lado do meu tronco. Senti aquela tira sobre o meu peito e olhava fixamente para aqueles seios, com um pesar. “Nunca vou descobrir como eles são”, sussurrei para mim. Enrijeci todo ao sentir aqueles lábios me darem beijos leves no pescoço, no queixo, para depois ela sugar a minha saliva com um beijo voluptuoso. E o meninão lá, duro como uma barra de ferro.</p>
<p>Em pouco tempo, eu já estava vendado. Senti a umidade do sexo alheio sobre meu peito, após ter me cegado com aquele pano preto cheiroso.</p>
<p>A umidade dela percorreu delicadamente o meu corpo até encontrar com o meu sexo, não me deixando penetrá-la.</p>
<p>Ouvi um clique. O pau ficou mais duro. Um uivar de leve, como se fosse um vento. Mais dureza ali e mais temores – e adrenalina, e palpitações, e respirações ofegantes – aqui. Não vi os seios, mas senti-os percorrerem selvagemente o meu tronco até ela me dar outro beijo malicioso. Pena que depois a minha língua ficou procurando a dela pelo ar.</p>
<p>Agora tu vai ver o que eu sou capaz de fazer – sussurrou em meu ouvido.</p>
<p>Mais excitação. Mais desejo. Mais pesar. Não sabia o que ela ia fazer. Só senti os seus lábios descerem o meu corpo, em beijos molhados. Não fiz mais nada. Afinal, como eu ia fazer alguma coisa, atado e vendado, naquela cama de motel?</p>
<p>Eu não era mais nada além de um prisioneiro dela. Um prisioneiro do sexo.</p>
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		<title>A primeira vez</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Aug 2010 20:11:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[“A primeira vez a gente nunca esquece”. Esse foi um ditado que alguém falou. Não se com alguma noção, mas com certeza, teve muita razão ao proferir essas palavras. A primeira vez, realmente, a gente nunca esquece. Fica marcado para sempre, queiramos ou não. Tudo isso porque, a primeira vez, é rodeada de expectativas e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“A primeira vez a gente nunca esquece”. Esse foi um ditado que alguém falou. Não se com alguma noção, mas com certeza, teve muita razão ao proferir essas palavras. A primeira vez, realmente, a gente nunca esquece. Fica marcado para sempre, queiramos ou não.</p>
<p>Tudo isso porque, a primeira vez, é rodeada de expectativas e de misturas de sentimentos. Medo, adrenalina, vontade e receio. Difícil dizer quais as proporções exatas, mas dizer que é cerca de 25% para cada uma dessas coisas, é, digamos, o mais correto. Pelo menos para mim. Não sei se para ti também.</p>
<p><span id="more-1038"></span></p>
<p>Quando chegamos naquele quarto escuro não sabia o que estava me esperando. O medo que esta nossa primeira vez me fez sentir foi, ao mesmo tempo, excitante e aterrorizante. Excitante porque eu não sabia o que estava por vir. Aterrorizante pelo mesmo motivo. Ainda mais naquele motel, algo que eu nunca tinha conhecido interiormente.</p>
<p>Espelhos e mais espelhos ao redor da cama. Não me contive e tive de olhar para o teto. Me impressionei ao ver meu reflexo em proporções maiores. Toda a área do teto continha espelhos. Que coisa, não?</p>
<p>Foi quando tu chegou por trás de mim. Tuas mãos, macias como seda, acariciaram meu peito. As unhas aproveitaram para arranhar-me, mesmo eu estando de camisa. Como não era grossa, as tuas unhas de mulher, recém-feitas, me marcaram de um jeito dolorido, porém gostoso. Não consegui deixar de me excitar quando me disse, ao pé do ouvido, um sussurrado “Deita&#8230;”.</p>
<p>Como se estivesse aprisionado, me encaminhei até a cama. Os lençóis também eram macios. Nem parecia que, ali, há pouco tempo, outro casal estivera fazendo o que, pela primeira vez, fizemos. Bela lembrança que tenho de nós&#8230;</p>
<p>Escorei minhas costas na cabeceira da cama. Fiquei te procurando por todos os lados, e não a encontrava. Meu coração começou a palpitar de uma forma que pensei que iria morrer. A pulsação era enorme, a ansiedade e a adrenalina também. Preciso dizer que a excitação fazia meu sexo ficar do tamanho que eu nunca tinha imaginado que poderia ficar?</p>
<p>Pois é. Tu causou esse sentimento. Tesão&#8230; ah, tesão&#8230; Não sentia isso desde a última vez que me masturbei pensando em ti. Se é que se pode sentir tesão pela mão, não é?</p>
<p>Foi quando, aos poucos, as luzes do quarto foram se apagando. Como se soubesses onde cada interruptor ia dar, deixou apenas aquelas vermelhas, suaves, que ficam uma em cada canto do quarto, acesas. Delicadamente, saiu do corredor, a passos lentos e libidinosos.</p>
<p>Dançava como se uma música, própria para striptease, estivesse tocando para nós. Mas não aquelas frenéticas. Aquelas músicas, em que a vocalista usa uma voz sensual e um ritmo envolvente, fazendo o cara, ao mesmo tempo, rasgar tudo o que a mulher veste e também não fazer nada. Escolhi a segunda opção. Afinal, não me sentia em um filme pornô para te tirar as vestimentas alucinadamente e te encher de tapas na bunda e te chamar de minha puta.</p>
<p>Não. Nada disso. Queria tu no comando. E, com certeza, tu estava no comando. A única coisa que eu comandava eram as minhas mãos, que insistiam em entrar em minha calça e começar o que tu estava demorando para fazer. Mas relaxei assim que me olhou, me censurando de uma forma excitante.</p>
<p>Riu, maliciosamente, ao me ver colocando as mãos ao lado de minhas pernas. Eu também ri, mas constrangido. E olha que uma mulher me constranger é difícil. É mais fácil – muito mais fácil, aliás – eu constranger vocês.</p>
<p>Quando jogou os cabelos para trás, imaginei o que estava por vir. Acredito que percebeu, pois vi que ficou receosa, por um  momento. Mordeu os lábios, como se era isso mesmo que queria fazer. Como já estávamos envolvidos, e ali, apenas consenti com a cabeça. Será que era eu quem estava no comando?</p>
<p>Mexeu o quadril suavemente para a esquerda e para a direita. As tuas mãos, ora repousadas sobre as coxas, delicadamente deslizaram para cima, passando pela cintura e levantando um pouco da tua camisa. Parte dela ficou para dentro, enquanto outra um pouco para fora da calça. Continuou o movimento até parar nos seios.</p>
<p>Ao balançar os cabelos para frente e depois jogá-los para trás novamente me fez pensar se não tinha feito isso alguma outra vez, como me dissera minutos antes, aparentando um nervosismo inocente.</p>
<p>Com o tronco um pouco inclinado para mim, podia ver, de relance, o desenho dos teus seios. E que belos seios, tu tens. Acho que não foi por pouca coisa que tu, devagarzinho, recompôs a postura original do teu corpo, mexendo, novamente, o quadril suavemente para um lado e para outro.</p>
<p>Em um ritmo lento e excitante, enquanto as pernas movimentavam a cintura de um lado para outro, tuas mãos, de forma delicada, abriam, um por um, os botões da camisa que estavas vestindo. Foi lento, muito lento, mas excitante – muito excitante. Me sentia em uma câmara de tortura. Mas a tortura sexual – daquelas que a gente quer fazer, mas não sabe o que, nem como, fazer.</p>
<p>Não resisti quando tu segurou cada borda da camisa e abriu um pouco mas, deixando-me ver a tua barriga, desnuda, e o sutiã de renda transparente, que usavas.</p>
<p>Aproveitando-se da minha excitação, colocou primeiro o pé direito na cama e, depois, subiu com os dois no colchão. O quadril ia para um lado e para outro a cada passo que davas em minha direção. Ali embaixo, eu estava explodindo.</p>
<p>Tu é uma menina perceptiva. Porque sorriu indecentemente inocente para mim, ao me ver de boca aberta olhando para os teus olhos, fixos, sem me mexer – o único lugar que se mexia era ali, dentro da minha cueca.</p>
<p>Quase arranquei o zíper da minha calça quando, devagar, desceu até a minha barriga, onde pude sentir o jeans da tua calça se esfregar em minha camisa. Depois, ao ficar de quatro, me olhando fixamente, não sei como resisti quando veio até mim e me sussurrou no ouvido “Me dá um motivo para te amar” e tornou a se inclinar para trás.</p>
<p>As mãos, agora, ficaram ao lado do meu rosto. Eu estava explodindo ali, e tu, com certeza, percebeu, pois já estava sobre mim, mesmo nós estando de calça. Com as mãos escoradas na cabeceira, sussurrou no meu outro ouvido “Me dá um motivo pra ser tua, só tua&#8230;”.</p>
<p>Tentei te beijar para mostrar as razões para ser minha, mas tu não deixou. Tornou o corpo para trás, ficando ereta – e eu, ali, ereto; bem rijo – porém, sem antes disso, deslizar as mãos de forma indelicada sobre meus ombros, passando pelo meu peito, minha barriga para, depois, subí-las pelas coxas até a cintura da calça.</p>
<p>Os dedos polegares entraram pela borda da calça. Ora se separavam, ora se juntavam, me excitando cada vez mais, por saber o que tu iria fazer, mas sem saber quando faria. Enquanto isso, movimentava o quadril para cima e para baixo, encostando de leve em mim, e me deixando longe do teu sexo segundo sim, segundo não. A mesma coisa com a cabeça. Um pouco para trás, um pouco olhando para mim. A boca vez em quando aberta, vez em quando fechada&#8230; E eu ali, louco para te possuir e dizer que tu será minha, só minha, e de mais ninguém.</p>
<p>Meus olhos estavam atentos ao teu rosto, mas meu ouvido estavam alertas. Não foi a toa que olhei novamente para a tua cintura ao ouvir o estalo de botão sendo aberto. E tu, safada como só uma inocente sabe ser, abria e fechava a portinha lenta e indelicadamente.</p>
<p>Abriu as pernas, colocou o corpo todo para trás, me deixando a mostra o teu sexo coberto pelas calças só para me enlouquecer, né? Não foi à toa que pensei “Mas é uma vadia”. Só não imaginava que seria um pensamento alto e que tu gostaria de ouvir, né?</p>
<p>Acho que foi até por isso que, apoiada sobre as mãos, fazia movimentos com os quadris e a barriga como se fossem uma onda do mar e meu corpo fosse a areia da praia, pois suavemente tu encostava em mim, me deixando cada vez mais louco. Aquelas tuas coxas, abertas, só para mim, e eu não podendo abocanhar o que estava na minha frente, só porque eu estava petrificado com a tua maldita sensualidade.</p>
<p>Não demorou muito e levantou-te bem devagar, me excitando muito. Ao ficar de costas para mim, pensei que ia me abandonar, mas mesmo assim, seria um abandono bom: afinal, a tua bunda estava bem na frente dos meus olhos.</p>
<p>E preciso confessar, tinha quase certeza que iria me abandonar, não fosse tu mexer, novamente, o quadril de um lado para outro após ter se reclinado para mim e ter me chamado para olhar nos teus olhos, enquanto estavas entre as tuas pernas abertas, olhando para mim, para, logo depois, ficares toda de pé e olha para trás, para ver se estou olhando para o teu quadril ou teus olhos.</p>
<p>Mais uma vez, fiquei constrangido pela minha indiscrição. Algo que, preciso repetir, não é comum de acontecer. Mas não consegui me segurar. Alguns momentos, como tu mesma viu, eu olhava para os teus olhos, mas outras horas eu olhava para o teu quadril. Afinal, não é sempre que uma mulher começa a tirar, lentamente, a calça para mim, né? Mostrando as qualidades perfeitas daqueles dois volumes traseiros, separados por uma calcinha preta, cavada.</p>
<p>Também não é sempre que, enquanto baixa a calça, desce até o meu peito e me pede um beijo entre no sexo, quando o coloca em minha boca um pouco antes de tornar a subir para, depois, dar um giro  de 180 graus para ficar novamente de frente para mim, né?</p>
<p>Antes de continuar, preciso te elogiar: tu tem um gosto muito bom. Sério.</p>
<p>Enquanto eu imaginava aquele gosto dos teus lábios inferiores, tu tirava, delicadamente, a calça. Primeiro, uma perna. Depois, a outra. Quando colocou as calças sobre os ombros, deixando as pernas sobre os seios, ainda cobertos pelo sutiã e pela camisa aberta, quase abri meu zíper. Só não abri porque tu disse que não e, logo após isso, jogou a roupa para longe de nós – e garanto que ouvi o abajur caindo, mas não quis conferir.</p>
<p>Eu já estava louco quando me mandou deitar – o que eu fiz sem cerimônia – e colocou os pés ao lado dos meus ouvidos, para que, assim, eu pudesse ver aqueles lábios que eu tanto queria beijar. Poder tirar aquela calcinha preta para o lado e colocar a minha língua para dentro de ti. Mostrar, de uma vez por todas, porque tu tem que ser minha mulher.</p>
<p>Aos poucos, a tua boca que fica entre as coxas foi ficando maior, assim como o meu desejo de te possuir. Estavas agachando-se ao meu lado e me deu o prazer de te dar um “selinho” onde eu queria dar um beijo de língua. Mas vá, tudo bem, quem estava no comando era tu e eu só tinha que aceitar, né? Pelo menos pude sentir os teus seios e beijá-los, já que ficou ali, parada, escorando as mãos no travesseiro em que minha cabeça repousava.</p>
<p>Só que tu é malvada. Muito malvada, pois logo tirou os seios de minha boca.</p>
<p>Pensando bem, não é tão má assim porque me beijou na boca de uma forma voluptuosa, contrastando o gosto de menta do teu hálito com o que eu tinha na minha boca, após tê-la beijado ali, naquela parte úmida e – talvez a mais – gostosa do teu corpo.</p>
<p>Me deixou querendo mais provar os teus lábios, mas eles estavam em outra “vibe”, como diriam os baladeiros de plantão. Digo isso porque tu começou a me beijar o pescoço enquanto as mãos abriam os botões da minha camisa para, depois, tua boca me beijar ali.</p>
<p>Foi fazendo isso até chegar em meu cinto. Não consegui criar coragem para te olhar nos olhos, mas vi no espelho do teto que tu estava olhando para mim e se divertindo com a minha excitação.</p>
<p>A cada movimento que fazia para abrir meu cinto, eu explodia de excitação e de adrenalina. Foi assim com o cinto, quando tu abriu o botão da minha calça apenas com o polegar e com o indicador da mão esquerda, enquanto que a direita abria o ziper. Levantei um pouco do meu quadril quando puxou a minha roupa mais para baixo e, depois, com a boca, puxou a minha cueca.</p>
<p>E lá estava eu, ereto, rijo, duro, como uma barra de ferro. Vi que tu olhou para ele de uma forma excitada e curiosa, louca para saber o gosto. Mal pude sentir o teu hálito refrescante em mim quando, assustado, acordei.</p>
<p>Estava suando frio, como pude perceber pelo lençol molhado. Ouvi um gemido de “amor, está tudo bem?” e a minha excitação estava se esvaindo. Tudo isso porque eu olhei para o lado e vi que, quem estava ali, era a minha namorada, e não tu.</p>
<p>Antes que tudo aquilo fosse em vão, fui ao banheiro. Tive de, alguma forma, gozar por tudo o que tu fizera por mim. Pena que foi em sonho, mas foi em um sonho muito, mas muito, real.</p>
<p><em>Esse texto foi escrito ao som de “<a href="http://www.youtube.com/watch?v=LiGVOvPmR3o&#038;feature=fvst" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.youtube.com/watch?v=LiGVOvPmR3o_038_feature=fvst&amp;referer=');">Glory Box</a>”, da banda Portishead.</em></p>
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		<title>Desejos contraditórios</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Aug 2010 22:55:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Preciso te dizer que me fazes agir de formas distintas. Ao mesmo tempo que te odeio, te amo; que te quero, desejo que não fiques um só minuto perto de mim; que percorra o meu corpo com estes teus lábios perfeitos, mas não esteja ao meu lado quando me acordar. Tudo isso, não sei porque. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Preciso te dizer que me fazes agir de formas distintas. Ao mesmo tempo que te odeio, te amo; que te quero, desejo que não fiques um só minuto perto de mim; que percorra o meu corpo com estes teus lábios perfeitos, mas não esteja ao meu lado quando me acordar.</p>
<p>Tudo isso, não sei porque. Promoves, em mim, os sentimentos mais contraditórios possíveis. O famoso &#8220;ou oito ou oitenta&#8221;. Ou talvez eu saiba o porquê &#8211; talvez até tu saibas o porquê.</p>
<p>Nos beijaremos loucamente e nos odiaremos após a discussão. Faremos as maiores loucuras na cama e depois não vamos querer olhar um para a cara do outro: um dia arrancarás a minha roupa; no outro me darás uma cueca nova e me mandará ir para a casa por não ter feito nada certo.</p>
<p>Gozaremos, à vontade, os nossos prazeres, as nossas certezas e também as nossas incertezas.</p>
<p>O que importa é que, apesar de tudo isso, te quero ao meu lado, e sei que me queres ao teu. Porque, independente do tempo que ficarmos juntos, a intensidade dos nossos sentimentos nos fará as pessoas mais felizes, eternamente enquanto durar.</p>
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		<title>Do casamento infeliz para o feliz</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Aug 2010 19:26:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[O marido chegou em casa, mais uma vez, trêbado. Solange não se surpreendia mais com essa atitude de Sérgio. Quase todo o santo dia ele chegava bêbado em casa. E sempre torcia para que o olho que ele desse o soco não fosse o mesmo do dia anterior. Ou que mudasse o xingão. Ouvir sempre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O marido chegou em casa, mais uma vez, trêbado. Solange não se surpreendia mais com essa atitude de Sérgio. Quase todo o santo dia ele chegava bêbado em casa. E sempre torcia para que o olho que ele desse o soco não fosse o mesmo do dia anterior. Ou que mudasse o xingão. Ouvir sempre &#8220;Tu é uma vaca que não faz nada. A estagiária é uma vaquinha, mas ela faz muita coisa&#8221; não deve ser lá uma coisa muito boa.</p>
<p>Pois Sérgio chegou todo bêbado. Aos tropeços, falando embaralhado, trocando as letras e quetais. Logo ela pensou &#8220;Hoje ele não me bate&#8221;. Foi até a cozinha e se muniu com uma faca, daquelas de cortar carne, maior que o pinto do marido e, segundo ela mesmo contou para as amigas, mais grossa.</p>
<p>O marido foi até a cozinha, gritando &#8220;Solange, vem aqui. Eu quero falar contigo e agora!&#8221;.</p>
<p>Solange obedeceu, mas com a faca em punhos. Ao chegar na sala, não encontrou o marido.</p>
<p>Sérgio, a passos mudos, chegou por trás de Solange, falando:</p>
<p>- Agora tu vai ver o que é bom&#8230;</p>
<p>- Por favor, hoje não! Hoje, não!</p>
<p>- Como assim, hoje não?</p>
<p>- Tu sempre faz isso, e hoje eu não quero. Olha o que eu tenho na mão!</p>
<p>Solange ameaçou Sérgio com uma faca. Toda vez que ele dava um passo para frente, lá ia ela, empunhando a arma branca direto para o salamito do marido.</p>
<p>O maridão ficou com medo e recuou.</p>
<p>- Mulher, tu não é mais a mesma&#8230;</p>
<p>- Tu é que não é mais o mesmo &#8211; esbravejou ela. &#8211; A única coisa que tu sabe fazer comigo é me bater. Transar que é bom, nada. E agora, se tu&#8230;</p>
<p>Ele percebeu quando ela baixou a guarda e se avançou na mulher. A mão direita dele levantada lembrava os tempos de ontem &#8211; literalmente &#8211; quando ele a enchia de tapa por tudo. Dessa vez, a mão foi diferente. Puxou-a pela nuca. A outra, levou o quadril dela para junto do dele. Sentiu o salamito se transformar em salame colonial.</p>
<p>- Essa cerveja é melhor que as outras. Até me deu vontade de transar contigo&#8230;</p>
<p>E foi uma noite maravilhosa. Segundo ela, conseguiram ficar mais de 15 minutos fazendo sexo. Uma alegria.</p>
<p>A receita, agora, é sempre ter algumas garrafas de <a href="http://bebendobem.tumblr.com/post/885632224/cerveja-com-queijo-melhora-seu-desempenho-sexual" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/bebendobem.tumblr.com/post/885632224/cerveja-com-queijo-melhora-seu-desempenho-sexual?referer=');">cerveja com queijo</a> na geladeira.</p>
<p>Tapas? Nunca mais. Bem, só entre quatro paredes. E às vezes é ele quem pede&#8230;</p>
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		<title>Enquanto isso, no ginásio da escola&#8230;</title>
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		<pubDate>Sat, 08 May 2010 22:13:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>

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		<description><![CDATA[O caixão foi colocado no centro do ginásio. Nas arquibancadas, aquele silêncio. Centenas de pessoas sentavam na arquibancada. &#8220;Coitadinha dela&#8221;, era o que mais se ouvia nos burburinhos. Os repórteres, sentados próximo ao caixão, não deixavam de notar aquele clima mórbido naquela escola. Entre eles, mais burburinhos: &#8220;Não é sempre que uma menina é encontrada [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O caixão foi colocado no centro do ginásio. Nas arquibancadas, aquele silêncio. Centenas de pessoas sentavam na arquibancada. &#8220;Coitadinha dela&#8221;, era o que mais se ouvia nos burburinhos. Os repórteres, sentados próximo ao caixão, não deixavam de notar aquele clima mórbido naquela escola. Entre eles, mais burburinhos: &#8220;Não é sempre que uma menina é encontrada morta no vestiário da escola, não é?&#8221;.</p>
<p>Próximos ao caixão estavam o diretor, diversos professores e uma outra menina, da mesma idade da que jazia naquele caixão. Era a única que não chorava. Aparentava raiva. Olhava para a arquibancada como se fosse jogar uma bomba em todo mundo. Os pais estavam ao lado dela, choravam, e sibilavam &#8220;Por que isso foi acontecer? Por que?&#8221;. Quando a presidente da turma foi entregá-los uma lembrança sobre o quanto gostavam da menina, a colega, que queria matar a todos, fuzilou-a com os olhos. A dondoca saiu correndo, com medo de morrer.</p>
<p>O diretor se aprontou para dizer algumas palavras sobre a menina. No discurso estava algo como &#8220;Todos a amavam&#8221;, &#8220;isso é uma tragédia&#8221;, &#8220;rezemos para que descanse em paz&#8221; e outras bobagens. Não que ela achasse a morte da amiga uma bobagem, mas tudo aquilo, toda aquela encenação, uma bobagem. Antes do diretor, ela se dirigiu até o microfone e falou, com uma voz doce e sutil.</p>
<p>- Vão se foder todos vocês, idiotas.</p>
<p>Até os burburinhos cessaram. Os repórteres fizeram cara de espanto e viraram-se para ela. Que continuou a dizer.</p>
<p>&#8220;Isso é tudo culpa de vocês, e agora ficam fazendo essa ceninha&#8221;, vociferou. &#8220;Quem aqui sabe a cor preferida dela? Quem aqui alguma vez falou alguma coisa decente com ela?&#8221;, e fuzilou a presidente da turma. &#8220;Tu, sua vaca, ficava o tempo todo chamando ela de gorda estúpida&#8221;. A fuzilada encolheu os ombros. &#8220;E tu, seu filhinho de papai hipócrita. Fica chorando dizendo que gostava muito dela, mas a convidou para sair e simplesmente largou ela no meio do caminho após ter transado no banco de trás do carro&#8221;. </p>
<p>Os pais da vítima se voltaram contra o rapaz. O menino estava se mijando nas calças. &#8220;Tudo isso porque &#8216;não seria muito legal para o cara mais popular da festa ser visto com a menina cdf do colégio&#8221;, esbravejou.</p>
<p>A menina continuou a desfiar &#8220;elogios&#8221; para os &#8220;bondosos colegas&#8221;. Mas se cansou. Virou para o diretor e gritou. &#8220;Seu filho da puta. Sabia muito bem o que todos faziam e nada fez para mudar a situação&#8221;. O diretor abriu o colarinho da camisa e suava como um porco. &#8220;&#8216;É coisa de adolescente&#8217;, foi o que tu sempre disse. Mas na verdade, não queria expulsar o queridinho ali, porque vocês têm um caso. Tudo bem ser veado, mas precisava ser pedófilo?&#8221;.</p>
<p>Alguns risos contidos dos repórteres. Do restante, apenas perplexidade. &#8220;Agora ficam aí, querendo aparecer de pessoas que gostavam dela. Ninguém aqui gostava dela. Em vez de um caixão, era preciso ter mais: mas com os corpos de vocês, em vez do dela&#8221;, sentenciou e depois calou-se.</p>
<p>Foi até o caixão e sussurrou algumas palavras. &#8220;Conseguimos&#8221;, e sorriu. Finalmente, a amiga vai ficar descansada.</p>
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		<title>Não fico com amigos</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Apr 2010 15:46:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[A festa estava bombando. Jorge e Camila estavam ali, na festa. Amigões, foram juntos ao local e encontraram outros amigos. Cabe, aqui, salientar que Jorge sempre curtiu Camila e que Camila nunca curtiu Jorge. Umas bebidas daqui, uns Red Bulls dali, eis que Jorge toma coragem. Pega um Halls preto, coloca  na boca, testa o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A festa estava bombando. Jorge e Camila estavam ali, na festa. Amigões, foram juntos ao local e encontraram outros amigos. Cabe, aqui, salientar que Jorge sempre curtiu Camila e que Camila nunca curtiu Jorge.</p>
<p>Umas bebidas daqui, uns Red Bulls dali, eis que Jorge toma coragem. Pega um Halls preto, coloca  na boca, testa o bafo, vê que continua horrível, mas mesmo assim vai para cima de Camila. O que Jorge sempre quis, e todo mundo sabia, era poder beijar aqueles lábios nem um pouco carnudos da amiga. Os cabelos negros e os olhos verdes o deixavam loucos, assim como o sorriso branco naquela pele morena.</p>
<p>Dessa vez ele não deixaria passar. Tomou toda a coragem que tinha e foi para cima da amiga. Cambaleando, mas foi. &#8220;Nada como uma bebida pra fortalecer a gente&#8221;, disse.</p>
<p>- O quê? &#8211; perguntou Camila, enquanto dançava (e Jorge vislumbrava aquela bela dupla de seios pulando para lá e para cá).</p>
<p>- Hã&#8230; nada!</p>
<p>Deu meia volta. Estava chateado. Não conseguiu dizer tudo o que queria. Foi quando viu aquela loira. O estilo de corpo que ele sempre admirou. Coxões, bundão, barriga sarada&#8230; Chegou bem perto dela, por trás e&#8230; pegou o copo de caipirinha que ela tinha na mão. Entornou tudo de um gole só e agradeceu.</p>
<p>- Tu salvou a minha pele &#8211; disse.</p>
<p>Deu outro 540 &#8211; lembra-te, ele está bêbado &#8211; e avançou, aos tropeços, próximo de Camila.</p>
<p>Encheu-se de coragem para dizer alguma coisa de útil  - ou tentar, porque a língua tropeçava em sua boca assim como os seus pés tropeçavam no chão.</p>
<p>- Camila&#8230;</p>
<p>- Oi Jorge&#8230; Nossa, tu tá bêbado.</p>
<p>- Sim&#8230; Mas não é isso o que eu tenho para dizer&#8230;</p>
<p>- É o que?</p>
<p>- Eu quero ficar contigo.</p>
<p>- Sério?</p>
<p>- Sim</p>
<p>- Mas por que isso? Agora? Aqui?</p>
<p>- Ah! Eu sempre te achei muito gata. Me aproximei de ti aos poucos&#8230;</p>
<p>Percebeu que ela estava atenta ao que falava. Isso o motivou ainda mais.</p>
<p>- Adoro a tua companhia, e sei que tu também gosta da minha. Tu já me falou isso tantas vezes. E eu sempre gostei de ti. Vou te dar um beijo, tá?</p>
<p>- Não!</p>
<p>O som de música romântica na cabeça de Jorge mudou para aquele famoso &#8220;qua qua qua qua qua quaaaaaaaa&#8221;, quando algo dá errado.</p>
<p>- Olha, Jorge. Eu gosto muito de ti. Tu é uma ótima companhia, mas é um grande amigo meu&#8230; mas eu não quero estragar a nossa amizade, então&#8230;</p>
<p>Jorge nem deixou terminar. Soltou tudo o que estava entalado na garganta &#8211; menos a bebida.</p>
<p>- Ah, Camila, vai tomar no teu cu, então. Não vem mais encher o meu saco falando que o Beto não te quer mais. Tu vive correndo atrás daquele filho da puta, ele te faz de gato e sapato, te trai, e mesmo assim tu corre atrás dele.</p>
<p>Camila olhou para ele, incrédula.</p>
<p>- Aí tu vem me encher o saco, falar tudo isso, perguntar por que não existem caras como eu pra tu namorar, e essas babaquices todas. Quando eu chego, tu vem nessa ladainha? Faça-me o favor de te foder. Não sou mais teu amigo porra nenhuma.</p>
<p>Jorge saiu, cambaleando. Foi no banheiro lavar o rosto. Não acreditava que disse aquilo tudo para a guria que mais gostava. Saiu do toalete e Camila o esperava.</p>
<p>- Olha só&#8230; &#8211; balbuciou ela.</p>
<p>- Não somos mais amigos.</p>
<p>- Sério?</p>
<p>- É!</p>
<p>- Ai&#8230;</p>
<p>- Agora tu pode ficar comigo sem ter medo de estragar a amizade&#8230;</p>
<p>E tascou um beijo em Camila. Camila parece ter gostado, pois não desgrudou dele um segundo.</p>
<p>Jorge estava feliz, até ouvir uma voz dizer &#8220;Acorda&#8221;. Era sua mãe, com o café da manhã pronto.</p>
<p>Ele havia dito para si mesmo, no banheiro da festa, que não acreditava que tinha dito tudo aquilo para Camila. Com certeza, não tinha dito, porque era tudo apenas um sonho.</p>
<p>Arrumou-se e foi trabalhar. Pegou o celular e tinha uma mensagem de texto esperando para ser lida.</p>
<p>&#8220;Adorei ontem à noite. Sonha com os anjinhos. Beijo. Mila&#8221;.</p>
<p>É! Vai ver ele tinha falado tudo mesmo&#8230;</p>
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		<title>O &#8220;casinho&#8221; do pai</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Jan 2010 16:51:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[- Mãe, tu nem sabe&#8230; &#8211; iniciou a conversa o filho. - O quê, filho? &#8211; indagou a mãe. - O pai tá com um casinho novo! - O QUÊ? &#8211; gritou a mãe, do outro lado da linha. O coração da velha não palpitava. Pulava, na verdade, em seu peito. Aquele &#8220;bum, bum, bum&#8221; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- Mãe, tu nem sabe&#8230; &#8211; iniciou a conversa o filho.</p>
<p>- O quê, filho? &#8211; indagou a mãe.</p>
<p>- O pai tá com um casinho novo!</p>
<p>- O QUÊ? &#8211; gritou a mãe, do outro lado da linha.</p>
<p>O coração da velha não palpitava. Pulava, na verdade, em seu peito. Aquele &#8220;bum, bum, bum&#8221; parecia um monte de minas terrestres, em que os soldados costumavam pisar, livres, leves e soltos, nas guerras dá década de 1960 para trás.</p>
<p>O sentimento era como o de uma mina terrestre. Alguma coisa em seu corpo estava fora do lugar. Em vez de pernas, braços e cabeças, era o coração, mesmo, quem estava saindo.</p>
<p>Ela não entendia como o marido, com quem convivia há 50 anos, pudera fazer isso. O amor deles não era bonito? Não eram considerados exemplo pelos outros? Afinal, nesse mundo estranho de hoje, um matrimônio durar cinco anos é motivo de euforia. O deles durava dez vezes mais, e agora essa &#8220;novidade&#8221; na vida?</p>
<p>A mente fazia essas perguntas mais profundas. Ao filho, fazia as mais costumazes.</p>
<p>- E&#8230; ele&#8230; está&#8230; feliz? &#8211; perguntou, pausadamente, com voz de choro.</p>
<p>- Não, ele não está feliz&#8230;</p>
<p>Sentimento de alívio.</p>
<p>- Ele está eufórico! &#8211; bradou o filho.</p>
<p>&#8220;Desgraçado&#8221;, resmungou para si. O filho falou com tanta vontade, com tanta alegria, que podia ter certeza de que ele sabia de tudo há algum tempo. Mas esse cretino, que saiu de seu ventre, não podia esperar pelo que viria nos próximos dias. Seria deserdado.</p>
<p>A esposa do pai feliz chegou em casa triste. Sentou no sofá depois de ter pego aquela cervejinha gelada do futuro ex-maridão. Bebeu toda de um gole só. Levantou-se, pegou mais uma lata de cerveja, e engoliu direto.</p>
<p>Poucos minutos depois, chegou o pai feliz. Viu a cara da esposa triste. Perguntou o que foi, mas ela não respondeu.</p>
<p>- Amor, preciso te contar uma coisa&#8230;</p>
<p>- Eu sei!</p>
<p>- Como assim, sabe?</p>
<p>- Eu sei de tudo, seu cretino!</p>
<p>- Ei, calma lá!</p>
<p>- O nosso filho me contou tudo. Tu tem um casinho novo!</p>
<p>O pai se lembrou da primeira brochada que deu na vida. Olhou para baixo, depois encarou o filho, para tornar a olhar para baixo.</p>
<p>- Eu ia te contar&#8230; &#8211; resmungou.</p>
<p>- Ia nada! Tu ia me abandonar!</p>
<p>- Como assim, abandonar?</p>
<p>- Ora, bolas. Um velho, como tu, de casinho, e novo ainda por cima &#8211; eu nem sabia que tu tinha um velho &#8211; vai querer o que com uma senhora de idade avançada como eu?</p>
<p>Ele sorriu. Ela ficou louca em ver aquele sorriso. Ao perceber o primeiro sinal de tapa na cara que levaria, escapou e foi para a garagem. Ligou a luz tão logo a futura, quem sabe, ex-esposa chegou.</p>
<p>Ela chorou. Muito. Mas de alívio. Ali estava o casinho novo do marido. E ela gostou.</p>
<p>- Eu sei que estamos sem dinheiro, mas não resisti&#8230;</p>
<p>- Ah, meu amor!</p>
<p>E foi correndo dar um beijo gostoso no velho. O filho ficou com nojo. Para não ver aquela cena, perguntou ao pai.</p>
<p>- Posso dar uma volta?</p>
<p>O pai não respondeu. Ele entendeu como um sim. Pegou as chaves do novo carro da família, um Kazinho, e foi andar por aí. Qualquer coisa na rua é melhor do que imaginar os pais transando.</p>
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		<title>Bem capaz&#8230;</title>
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		<pubDate>Sun, 10 Jan 2010 03:32:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Ricardo e sua namorada, Daniele, estavam sentados na praça de alimentação de um shopping qualquer. Um chamego daqui, um apego dali, um beijinho sincero ali e um beijo mais safado acolá. Daniele, como toda mulher que se preze, além de beijá-lo, também estava atenta a tudo e a todos. Foi quando, de súbito, parou tudo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ricardo e sua namorada, Daniele, estavam sentados na praça de alimentação de um shopping qualquer. Um chamego daqui, um apego dali, um beijinho sincero ali e um beijo mais safado acolá. Daniele, como toda mulher que se preze, além de beijá-lo, também estava atenta a tudo e a todos. Foi quando, de súbito, parou tudo o que estava fazendo com Ricardo e solto um sonoro&#8230;</p>
<p>- Aaaaaaaaaaiiii! Que fooooooofooooooooo!</p>
<p>Ainda perplexo com o interrompimento não previsto daquilo tudo, Ricardo demorou para entender o que Daniele falava. Fitou-a por um momento e depois voltou seu rosto para a direção em que ela olhava. Deu um sorriso, bebeu um pouco do seu refrigerante. Com uma das mãos, mexeu o canudo no copo, para ver o movimento dos gelos, e iniciou uma conversa &#8220;foooooofaaaaaaaa&#8221; com a namorada.</p>
<p>- É! Tem razão, é um fofo.</p>
<p>Daniele se virou de súbito para ele. Pela primeira vez, após 15 namorados, encontrou alguém com quem pudesse dividir algo importante demais que não fosse sexo: papos sobre bebês. Encostou seus cotovelos na mesa, olhou atentamente para o namorado menos fofo que o bebê, mas um fofo na cabeça dela, para puxar o assunto.</p>
<p>- Vai dizer, é fofo, não?<br />
- Super.<br />
- É lindo.<br />
- Sim, uma das coisas mais belas que um casal pode ter.</p>
<p>Mais uma vez ficou perplexa. Aquele era o cara da sua vida. Achar um bebê fofo, nessa humanidade desumana, como classificava Renato Russo?</p>
<p>- É sério o que estou falando. É uma das coisas mais belas que um casal pode ter&#8230;</p>
<p>Ricardo começou a filosofar. Daniele, prestou mais atenção naquele cara que passou a admirar mais do que apenas o sexo.</p>
<p>- Consegue unir mais as pessoas. Famílias, que antes não se aceitavam, começam a se aceitar&#8230;</p>
<p>Não acreditava naquilo que escutava. Esse cara era mesmo perfeito, pensou ela. Cada palavra era como uma bela música. &#8220;Acordar e ver aquele sorriso ingênuo para ti&#8221;, falava daqui. </p>
<p>- Mesmo depois daquela cagada básica em ti, tu acha graça daquilo tudo e ainda dá uma gargalhada, para depois beijar a fuça da criança. Aí ela percebe que tudo é uma brincadeira: não só caga em ti, como vomita também. O serviço é completo e, ironicamente, para os pais, é agradável.</p>
<p>Ela riu. &#8220;Meu Deus, é com esse cara que vou casar&#8221;, pensou novamente. Queria pegá-lo agora mesmo, levá-lo para uma cama e iniciar o ciclo vicioso de sexo, bebê, casamento, família, mais sexo, mais bebê, etcetera e tal. Até achar que era o ponto certo, fez o comentário com seu namorado. Ricardo sorriu, olhou para ela mais uma vez. Daniele também sorriu e preparou o ouvido para aquele comentário que só um ser perfeito como o seu namorado poderia fazer.</p>
<p>- Tu tá louca?</p>
<p>O sorriso virou alguma coisa como cara de incrédula.</p>
<p>- Tu sabe quanto custa manter um bebê? É quarto aqui, é berço lá, é carrinho acolá! Não dá, muito gasto.</p>
<p>Foi então que Daniele percebeu que os homens são todos iguais. Adoram fazer, mas arcar com as consequências, não. Isso, no pensamento dela, que não é o mesmo que o do autor.</p>
<p>Enquanto isso, em outra mesa, rolou um &#8220;ménage à trois&#8221; de discussão.</p>
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		<title>Encaixou?</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Jan 2010 21:03:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Os dois estavam suspirando demais. Não queriam acordar ninguém. Por isso fizeram um acordo: ficar o mais quieto possível. Tentaram de tudo quanto é jeito, mas não acreditavam estarem sendo bem sucedidos. Volta e meia alguém acendia a luz para saber o que estava acontecendo por perto, mas eram tão mal sucedidos quanto Serginho e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os dois estavam suspirando demais. Não queriam acordar ninguém. Por isso fizeram um acordo: ficar o mais quieto possível. Tentaram de tudo quanto é jeito, mas não acreditavam estarem sendo bem sucedidos. Volta e meia alguém acendia a luz para saber o que estava acontecendo por perto, mas eram tão mal sucedidos quanto Serginho e Fred, como Sérgio e Frederico se chamam desde que se conheceram.</p>
<p>O suor escorria por aqueles rostos. Fred mordia os lábios enquanto os grunhidos de força de Serginho ficavam um pouco alto demais para o gosto deles.</p>
<p>- Ô Serginho, te controla aí – resmungou Fred.</p>
<p>Serginho tentou manter o controle, mas viu que estava cada vez mais difícil.</p>
<p>- Pô, cara, isso aqui ta apertado demais – retrucou Serginho.</p>
<p>Fred não gostou nada do que ouviu. Disse para Serginho usar uma proteção, mas o mané não quis. Virou os olhos para cima antes de suspirar mais uma vez.</p>
<p>Foram longos quinze minutos nessa discussão e nessa gemeção toda. O medo deles era acordar todo mundo. Sabiam que, se assim fizessem, ninguém acreditaria na história que contariam depois.</p>
<p>Fred tentou segurar a onda, mas não conseguiu. Após uma forte investida de Serginho, deu um grito de dor.</p>
<p>- AAaaaaaaah, seu cretino. Eu disse para não fazer assim&#8230;</p>
<p>- Cala a boca, cara, daqui a pouco todo mundo vai acordar.</p>
<p>- E eu com isso. Tá doendo demais essa porra&#8230;</p>
<p>As luzes acenderam. Portas abriram. Rostos viraram-se para a escadaria. Fred e Serginho agora suavam frio. O segredo estava, enfim, descoberto.</p>
<p>- Arrá! Eu sabia! – gritou Valdomira, a síndica.</p>
<p>- Sabia o que, dona Valdomira?</p>
<p>- O que vocês faziam esse tempo todo. Acharam que ninguém descobriria?</p>
<p>Os dois deram-se por vencido. Mas, antes, fizeram um pedido à Valdomira.</p>
<p>- Ô dona Valdomira, a senhora pode fazer um favor? – indagou Serginho.</p>
<p>- Depende&#8230; – disse ela.</p>
<p>-  Não conta nada para o meu pai não&#8230; – continuou.</p>
<p>- E por quê? Posso saber?</p>
<p>- Se ele souber que nós estamos devolvendo essa mobília, nos mata. Eu e o meu irmão, Fred, não gostamos nada desse armário e vamos trocar por um vídeo-game.<br />
Valdomira assentiu. Sabia que o pai dos dois não acreditaria nessa história. Mas entendia os irmãos: aquele armário era, mesmo, tenebroso.</p>
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		<title>Espírito natalino</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Dec 2009 17:07:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Natal. Data festiva. Data em que todo mundo gasta grana para dar o melhor presente. Ou o “menos pior” presente. Vai de cada um e de cada carteira. Eu estava atravessando uma das ruas da Capital, onde meus pais moram, quando vi algo de chamar a atenção. Um senhor, de poucos cabelos grisalhos – o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Natal. Data festiva. Data em que todo mundo gasta grana para dar o melhor presente. Ou o “menos pior” presente. Vai de cada um e de cada carteira.</p>
<p>Eu estava atravessando uma das ruas da Capital, onde meus pais moram, quando vi algo de chamar a atenção. Um senhor, de poucos cabelos grisalhos – o resto ele perdeu -, camisa verde, aberta abotoada até a metade, calça social preta, onde saía, do bolso esquerdo, uma chave de carro, e aquelas sandálias velhas que todo cara velho, tipo o teu ou o meu pai, adora usar.</p>
<p>Eis que o velho parou na frente de um guri que ficava chorando porque a mãe dele disse que, como não foi um bom menino, não ganharia um presente. Ficou de joelhos para o guri, encarou-o nos olhos, e falou, em um tom leve e agradável, como todo bom velhinho.</p>
<p>- Essa data representa o nascimento de Jesus. Não temos que nos importar com presentes. Jesus nasceu para nos ensinar muito. Ele nos ensinou a vida e morreu crucificado para nos salvar.</p>
<p>Os olhos da criança se encheram de lágrimas sinceras. Vendo aquela cena, desembuchou mais a filosofia bíblica.</p>
<p>- Nessa época do ano, não devemos lembrar só de Papai Noel. Vocês, crianças, têm que se lembrar de Jesus. Foi ele quem nos deu essa vida. O Papai Noel é só para desviar a atenção e nos fazer esquecer de quem realmente importa. Que é quem?</p>
<p>Perguntou para o menino. O guri enxugou os olhos e fitou o velhinho. Abriu um sorriso e se virou para a mãe.</p>
<p>- Viu, mãe? Nessa época do ano devemos lembrar o nascimento de Jesus.<br />
Sim, meu filho.</p>
<p>O velhinho se levantou, com sensação de dever cumprido. Olhou para trás e, quando menos esperava, levou uma bolsada no rosto.</p>
<p>- Seu velho palhaço. Por que tinha que falar essa baboseira de nascimento de Jesus?</p>
<p>O senhor, incrédulo, tentou argumentar.</p>
<p>- Mas é a verdade. É isso que simboliza o Natal.</p>
<p>Ainda com raiva, a mãe finalizou o assunto.</p>
<p>- O problema, meu senhor, é que meu filho se chama Jesus. Agora ele tá se achando a bolachinha recheada do pacote&#8230;</p>
<p>Naquele momento, anotei mentalmente: &#8220;Melhor ter um filho chamado Valdisnei do que um Jesus&#8230;&#8221;</p>
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