A mãe, o São Pedro e o Murphy
Posted on March 13, 2012
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Atender os apelos de mãe é o que qualquer filho que se preze e se respeite faz poucas vezes na vida. Ela fala que tem que colocar o casaco, porque à noite estará frio. O que você faz?
- Ah, mãe, não precisa.
Ela insiste…
- Mas é só carregar no braço enquanto não estiver usando.
Se leva o agasalho, fica emburrado. Se não leva, parece que São Pedro resolve te sacanear e manda aquela chuva, ou aquele frio, pra cima de ti.
O mesmo ocorre com andar de motocicleta. “Filho, usa o protetor solar”. Só que, desta vez, você já é adulto. Manda no teu próprio nariz e, se mora sozinho, faz o que dá vontade. Se mal arruma a cama quando acorda, imagina passar protetor solar? Esse negócio é só com o Pedro Bial, mas ouvindo no volume mais baixo.
Daí você olha o horizonte antes de pegar a magrela motorizada. Como um bom meteorologista de televisão, prevê que o dia será lindo e quente. “Ok, não vai chover hoje. Vai ser mais um dia de torrão no sol.”
Enquanto pega o capacete, relembra daquela bela moça, que te deu à luz, com aquele ar protetor dizendo “usa o filtro solar”. Reluta em atender o pedido, mas se lembra: está muito quente e ter o braço estilo Kinder Ovo (preto por fora da camiseta e branco por dentro dela) não é a cena mais bonita da terra.
Pega aquela coisa e passa nos braços, no pescoço e no rosto. Nas pernas não porque tu é homem. E homem no trabalho tem que usar calças, não bermuda. Bem, depende do trabalho.
E o que acontece quando você atende o pedido? São Pedro, aquele sacaninha, resolve dar o ar da graça. Como quem pensa “Ah, é? Agora, depois de marmanjo, resolve atender a mãezinha?” e resolve brincar. Manda aquela chuva torrencial durante metade do caminho para, quando chegar próximo do destino, tudo fica seco e o sol volta a brilhar.
Nem adianta apelar para a capa de chuva. Estava quente, com sol forte, louco para dar aquele torrão, lembra? Pois é. A sua mãe esqueceu de juntar “usa filtro solar” e “pega o casaco” enquanto você era criança e, quando adulto, não assimilou tudo.
Murphy, seu safadinho…
Abandonados
Posted on January 26, 2012
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Ô seu repórter, o senhor precisa ver a minha situação. Nós aqui estamos abandonados pela prefeitura. A gente pede, pede e pede pra eles, mas eles nunca vêm aqui.
É protocolo pra cá, burocracia pra lá. Sempre falam que a gente tem que fazer isso, mas quando a gente faz, eles nunca vem. Nós estamos abandonados. ABANDONADOS!
Escreve aí. Pode, pode escrever. Diz praquele secretário… como é mesmo o nome dele…
Pera aí. Eu vou lembrar. É aquele secretário lá… Ah! Isso pouco importa. Nem sei direito em quem votei na última eleição, não vou me lembrar quem é esse cara. Só sei que ele é corrupto.
Sério. Pesquisa um pouco sobre ele. Olha a casa que ele tá construindo. E ele tem uma empresa. Político e com empresa. Só pode ser corrupto.
Mas, ó, não vai esquecer não, hein? Tem que dizer que a gente tá abandonado. ABANDONADO. A-BAN-DO-NA-DO.
Se eu vou nas audiências públicas que eles marcam? Ah! Vou não. Olha os horários que eles marcam. Ou é na hora da novela ou na hora do futebol. Daí é querer demais, né?
Liga o Foda-se
Posted on December 25, 2011
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A viagem estava ótima. Dirigia com tranquilidade, coisa que não fazia antes de tomar algumas multas por excesso de velocidade. Acalmou o pé no acelerador depois de ver como o IPVA ficou caro por não ser considerado um bom motorista. Aproveitou o tempo, pegou seu pen-drive, engatou no rádio do carro e foi ouvindo um Acústicos e Valvulados, RPM e Engenheiros do Hawaii – não necessariamente nesta ordem – por quase 115 quilômetros.
No meio do caminho, pensou nas saudades que sentia. De olhar sem muita gana, mesmo a tendo por dentro. Fazia tempo que não a via, que não a sentia, que não a degustava. A língua, os lábios, os olhos… eles pediam tudo de novo.
Mas, ficou reticente. A dúvida pairou pelo ar. Há quatro meses, desistiu de tudo isso. Percebeu que não estava fazendo bem, psicologica, emocional e financeiramente.
Por quase duas horas ficou nesse dilema. Baixou aquele quadro do programa Pânico na TV e se perguntava: “vô ou num vô?”. Imagina essa pergunta por quase duas horas de viagem. Lógico que alguma besteira ia fazer. Ainda bem que aquele motorista, que trafegava no sentido contrário, foi amigável: ligou a luz alta, buzinou e disse “quer morrer, o filho da puta?” Ah, a educação no trânsito.
Chegou ao seu destino. Agora precisava decidir. “Vô ou num vô?”, “Vô ou num vô?”, “Vô ou num vô?”, “Vô ou num vô?”…
- Vô.
Mudou toda a sua trajetória e chegou ao seu destino. Os olhos marejaram. Fazia tempo que não estava ali.
Saiu do carro, entrou na porta e foi direto na fila.
- Por favor, eu quero um Big Tasty, com batatas-fritas média e uma Coca-Cola grande.
É! Tem vezes que a gente precisa ligar o foda-se para ser feliz.
Certas coisas não dariam certo aqui
Posted on December 9, 2011
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É uma afirmação que, por mais broxante que seja, é real. Basta ver o vídeo abaixo. A descrição do You Tube diz que ele, lá na Austrália, reduziu o índice mortes no trânsito.
Quem me conhece sabe a minha opinião. O nosso falso moralismo e essa nossa mania de politicamente correto, em que nada pode ser exposto em sua totalidade, é uma bosta. Algumas ações como esta aí deveriam ser feitas no Brasil mais vezes. Com pessoas sérias que não tenham medo da opinião – hipócrita, é bom dizer – da maioria da sociedade.
Que não coloquem vídeos com atores renomados dizendo “Se beber, não dirija”. Isso só funciona para os comerciais das Havaianas, que ficaram muito caras depois que certos globais viraram garoto propaganda. Quando o assunto é sério, é promover a vida, casos reais são essenciais. Ao extremo.
Só que entra uma pequena reflexão, que eu publiquei no meu Facebook antes de vir aqui. Será que uma ação dessas surtiria efeito no Brasil? Será que conseguiríamos ficar, sei lá, um mês sem cometer um deslize?
Não. E desculpa se pensou que a resposta seria outra.
Não vai surtir muito efeito. Por vários motivos: falta de fiscalização, corrupção, penas brandas, e essas coisas que estamos quase como um pneu de carro muito usado – carecas de saber.
O problema maior é que nós somos negligentes. Acreditamos que as desgraças só acontecem com os outros. Bebemos numa balada e saímos dirigindo certo da impunidade. Muitas vezes não precisamos nem beber: transitamos sempre pelo mesmo local que já sabemos quais os pontos em que podemos acelerar sem sermos pegos pelas polícias rodoviárias. Esquecemos de acionar um pisca aqui, ultrapassamos o sinal vermelho acolá. Quando o sinal está amarelo, aceleramos porque ele só indica atenção, não que devemos parar logo. Ou como esse vídeo aí de baixo.
Um comercial forte – e ótimo – como esse só dará certo quando, antes de tudo, deixarmos de ser esses imbecis. Enquanto nos consideramos um semideus, mataremos muitas pessoas e, talvez, acabaremos com a nossa.
Tu me tira o sono
Posted on November 30, 2011
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É verdade. Contigo, perto de mim, minhas noites se tornam insuportáveis. Não consigo dormir direito. Me reviro na cama – olha só! Eu, que durmo feito um morto, me revirando na cama…
E todos os anos é a mesma coisa. O pior de tudo: na mesma época.
Tento fazer de tudo para conseguir ficar tranquilo, só que não consigo. Não consigo, não consigo, não consigo.
Não é que nem o Araketu, que canta “O corpo estremece, as pernas desobedecem”. Porém, é quase isso. A resposta é simples: tudo fica assim, perdido, quando está aqui, perto de mim.
Água gelada? Não adianta. Banho frio? Pior. Posso pegar uma gripe, mas continuará sendo insuportável.
Eu te odeio. Sério. Te odeio muito. Te odeio porque odeio não conseguir dormir. Te odeio porque odeio perder a concentração no trabalho. Te odeio porque odeio suar enquanto estou na rua – seja trabalhando, pagando conta, e etcetera e tal.
Te odeio, calor. Só não muito, porque nessa época do ano as gurias usam roupa curta. Mas te odeio.
Vida de jurado em seis atos
Posted on November 20, 2011
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Ato I – A convocação
Era por volta de 13 horas de uma sexta-feira quando, na reunião de pauta, o editor do jornal dá uma risadinha e diz:
- Sábado tem a escolha da… Rainha Estudantil. E tu será o jurado.
O jornalista revira os olhos, pensa “ô saco”, ouve as risadinhas e as piadinhas dos colegas, como “vai lá e te arranja com alguma delas”, mas logo esquece de tudo o que estava em volta quando o chefe torna a falar:
- Também tem coquetel. Aproveita.
“Ufa! Pelo menos algo de bom”. Curte a ideia e até vai no mercado comprar uma lâmina de barbear. Se é para ser jurado, que seja de barba feita, né? Vai que, mesmo, conheça alguém que se torne, sabe-se lá, futura mulher de um jornalista esforçado? Não tinha como dar errado.
Ato 2 – A timidez
Jornalista tem que ser cara de pau. Não se aprende isso na faculdade, mas, sim, na vida profissional. E lá foi ele, todo pimpão, para o local do concurso.
- Chegou cedo. É só subir as escadas, virar à direita e entrar no auditório. O pessoal já está lá – fala uma das recepcionistas, sem nem acreditar que o jornalista de barba recém-feita e cara de cansado era mesmo um jurado. Ela deve ter pensado “Se isso aí é um jurado, coitadas das gurias…”
Entra no auditório. Tudo escuro. Mas percebe algo diferente. Diversas meninas, algumas com coroa, mas todas com uma faixa. É “Miss de alguma coisa” pra cá, “Rainha de outra coisa” pra lá, “Princesa de qualquer coisa” acolá. Teve vontade de criar uma faixa e colocar atravessado no peito, dizendo “Jornalista do ano”, mas seria demais.
- Estou no lugar certo? – pergunta.
- Sim! Pode sentar em qualquer lugar.
E lá foi ele. Tímido, sentar em qualquer lugar. Não muito perto das misses, mas não muito longe. Era uma coleção de coxas que ele não poderia deixar de ver.
Ato 3 – A observação
Uma das organizadoras adentra na sala. Liga os ventiladores, depois o ar-condicionado, as luzes e, por fim, convida todo mundo para comer. Afinal, era um coquetel.
O jornalista, acanhado, resolveu ficar na dele. Mas cinco das 15 rainhas, misses e sabe-se lá mais o que, resolveram se levantar. E eis que a cena estava maravilhosa.
Não conhece nada de moda, mas percebeu que algo nessa vida deve ser comum: vestidos curtos, que levantam a cada caminhada e deixam cada vez mais as coxas à mostra. Justos, para realçarem os atributos físicos.
Elas comem, conversam, trocam risadas. Às vezes olhavam para o carinha, o único daquela sala, quieto, manuseando o celular, mas sem tirar os olhos daquelas coisas maravilhosas. As pernas das gurias, lógico.
Ato 4 – As candidatas
Algumas dezenas de minutos depois, chegam as 22 candidatas. Duas com, no máximo, seis anos. Outras tantas entre 11 e 15. E outras poucas entre 16 e 17. Os jurados recebem uma pasta com o nome das candidatas e se deparam com um dos quesitos. “Entrevista”.
Fecha a pasta quando algumas candidatas se apresentam. A maioria olha para o jornalista com aquela cara de “o que ele está fazendo aqui?”. Ninguém recebe uma faixa dizendo “jurado”, então não tinha como dizer “É óbvio o que estou fazendo aqui.”
Até que uma resolve quebrar o gelo, mas com as representantes de um evento de um município vizinho.
- Parabéns. Vocês são muito bonitas.
Ela olha de canto de olho para o jornalista, sentado, na dele.
- O senhor também.
Os dois, até certo ponto, ficam encabulado.
- Obrigado.
Enquanto estava louco para dizer “Senhor é o senhor teu pai”. Mas resolveu ficar quieto.
Mais algumas dezenas de minutos, todos se soltam. O jurado conversa com as candidatas e, pronto, estabelece as notas.
Etapa 1 vencida.
Ato 5 – O corpo de jurados
A pior coisa para alguém que nunca foi jurado é ser anunciado no meio de um grande público. Ainda mais quando tu é um jornalista que não conhece nada de moda, nada de modelagem. Só de pernas, coxas, peitos, rostos, corpos femininos… Então vai o locutor e fala “Os nossos jurados são pessoas competentes do meio da moda”. O jornalista quase soltou um “noffa”, de brincadeira. Mas sabia que poderia ser mal interpretado.
Sentou do lado de uma das misses que também era jurada. Estava nervoso.
- Primeira vez que tu é jurado?
- Sim.
- É assim sempre. A gente sempre fica nervoso.
Papo vai, papo vem. Ele descobre que ela é Rainha de uma gincana estudantil de um município vizinho. Comete uma gafe, dizendo que não conhece a tal gincana. Praticamente acabou com o momento celebridade da menina. Depois de alguns segundos de pensamento, lembrou-se da gincana e retornaram a conversar.
Ato 6 – O fim
O desfile aconteceu tranquilo. O resultado foi tranquilo. Mas a entrega das faixas não.
Uma confusão tomou conta do locutor. Ou era a idade, ou o cara bebeu um pouco além da conta. Do nada, chama o jornalista para entregar a faixa de “Princesa Estudantil Infantil”. Levanta-se, todo desengonçado e até perplexo. Mas viu que a real princesa estudantil infantil do ano anterior estava lá, fuzilando-o com os olhos, e deu a faixa à ela. “Vai que é tua, piá”, pensou.
Retornou à mesa, com as donas daquelas maravilhosas coxas rindo de sua cara.
- Quase me senti uma rainha. Acho que vou fazer uma cirurgia e participar de miss exposição, miss município, miss sei lá o que…
Mais risadinhas. Quatro horas depois, o evento termina.
Depois de toda essa “aventura”, é voltar para a casa com uma grande certeza: ser jurado, nunca mais. No máximo, namorado de miss – se alguma delas topar, claro.
O jornalismo e os imprevistos
Posted on November 2, 2011
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Quando nós escolhemos o jornalismo, aprendemos que é uma profissão que trabalha com o imprevisto. Muitas pautas são pré-definidas, mas são aquelas que ninguém espera que impacta uma redação e injeta a adrenalina no jornalista – e, lógico, te tira da tão odiada rotina de chega, senta, liga, escreve, sai, fala com os mesmos, escreve, e olha impresso no outro dia.
Jornalista que fala que não gosta dos imprevistos está na profissão errada, porque até em assessoria de imprensa algumas coisas que ninguém imaginava acontecem. Falo isso porque é bom. O cara fica até certo ponto eufórico. Pega a chave do carro, pergunta onde fica o que tem que cobrir, pede para os colegas auxiliar, catando informações preliminares e te informarem quando alguma delas for muito importante.
E tu chega no local. Vê aquela cena. Começa a fazer as perguntas: o que aconteceu? como foi? por que? quando? quem tá envolvido? bla bla bla whiskas sachê?
No inicio, não te importa muito com tudo o que acontece ao teu redor. Tu quer é saber da pauta. Levar aquela informação quentinha aos teus leitores e, claro, causar aquele impacto. É para isso que tu trabalha: para informar as pessoas com aquilo que pode fazê-las refletir sobre a vida.
O problema é sempre o depois. Quando tu senta no carro e te dirige de volta para a redação. Enquanto organiza o texto na tua cabeça, alguns devaneios vêm em mente: o que aquelas pessoas planejavam para o futuro? como os familiares vão reagir à informação? como será que contarão que os avós tão queridos morreram? como terão forças para contar isso, sendo que os avós são os teus pais? que porra de vida é essa?
E quando tu faz esta última pergunta, uma explosão de raiva quase te cega – quase, porque tu tem que chegar vivo no trabalho e escrever tudo de uma maneira, até certo ponto, impessoal, sem emoção, sem subjetividades. E mais perguntas vêm naqueles menos de 15 minutos de distância entre o fato e o trabalho: como é que aquele imbecil não viu que não daria certo? por que tava com pressa? não podia aguardar tudo isso? será que ele vai ficar com remorso do que fez? será que a família dele, que saiu praticamente ileso do acidente, vai repreendê-lo?
São tudo perguntas que dificilmente terão respostas. Mas que te fazem refletir se o imprevisto, se aquela adrenalina toda, vale a pena. Na verdade tu sabe a resposta. Se não soubesse, teria trocado de profissão.
Sociedade de idiotas
Posted on October 30, 2011
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A história do Lula estar com câncer virou o hype do momento. Todo mundo quer dar um pitaquinho aqui, fazer uma piadinha lá. Mas sempre têm aqueles idiotas, que aproveitam a falta de saúde alheia para fomentar a mesquinharia e a hipocrisia.
Todo mundo aqui – ou a maioria, pelo menos – tem o Facebook. Essa galera, com certeza, se deparou com aquela “campanha” imbecil dizendo para o ex-presidente Lula se tratar pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Esse pessoalzinho achou de muito bom grado ele se tratar pelo SUS – que todos nós sabemos, tem inúmeros problemas. Seria uma forma do Lula “se igualar aos demais” que sofrem todos os dias pegando uma fichinha para ser atendido daqui duas, três semanas.
Isso é uma falta de respeito à vida e uma demonstração de que é um ser idiota e desprezível, em certos momentos. A ampla maioria, e afirmo isso com certeza, nunca foi ao SUS. Conhece o sistema apenas pelo que lê nos jornais e vê na televisão. Nunca precisou ligar para o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) e o máximo que demorou para ser atendido foram algumas horas, pois tinha plano de saúde. E, mesmo assim, reclamava um “porra, eu tenho plano de saúde e tenho que me sujeitar a isso? Que merda de saúde é essa?”
Compartilho a mesma opinião do jornalista da Folha de São Paulo, Gilberto Dimenstein. Lula cometeu erros e merece, sim, ser criticado por isso. Mas essa campanha idiota de nada valerá. O cara tem todo o direito de usar a grana dele para tentar fazer o melhor tratamento possível para o câncer. Quem nunca teve um familiar com essa doença não sabe como é foda o tratamento e como todo mundo sofre.
O Lula merece isso? Merece por ser um presidente esquerdista? Por ser amigo de Fidel Castro – que criou um dos melhores sistemas públicos de saúde do mundo? Pelo preconceito bobo de muita gente que acha que sindicalista só tem que ficar no trabalho, e não ser eleito para cargo público? Se tu respondeu “sim” a pelo menos UMA dessas perguntas, lamento dizer, tu é mais um dos idiotas nesse país e precisa de um sério tratamento para isso.
Facebook, Twitter, Orkut, e essas redes sociais são ótimas ferramentas nas mãos de quem as sabem usar. Pelo visto, o brasileiro não nasceu para viver com elas.
Infelizmente, somos uma sociedade de (repletos) idiotas.
Dor de cotovelo
Posted on October 29, 2011
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Tem pessoas que nasceram para sofrer. Ficam remexendo no passado, achando culpados para tudo e pensam que estão sempre corretos. Aquele amor incondicional próprio, em que qualquer um que atravesse o seu caminho e não o corresponda merece ser execrado perante a sociedade.
A guria rejeitou o cara? “Ah! Ela é uma vadia, mesmo. Nem queria nada com ela”, costumam anunciar. O mesmo ocorre quando a menina foi preterida por outra. Solta para as amigas – e, talvez, para os amigos do cara “imbecil” – aquelas frases comum do tipo “ele tem pinto pequeno” e “ele não sabe nem chupar direito”.
Sabe o que isso mudará na vida de quem é xingado? Nada! Absolutamente NADA!
A resposta é simples. Quem é xingado, normalmente, está bem de vida. Tomou uma decisão que achou sábia e resolveu fazer aquilo que era melhor para ele. Isso quer dizer que foi uma atitude correta? Talvez sim, talvez não. A ética não é o cerne dessa discussão.
Quem me lembrou dessa analogia foram os torcedores do Grêmio. A galera torrou um dinheiro desgraçado para fazer faixas e camisetas, xingando Ronaldinho Gaúcho de tudo quanto é coisa: Pilantra, Mercenário, Sem Caráter, e outras coisas que me impedem de escrever aqui – não porque é proibido, mas é que não vale a pena.
Uma dor de cotovelo imbecil. Ficar revoltado com a atitude do cara, tudo bem. Se sentir iludido, beleza, todos fomos. Mas ficar só batendo nessa tecla no jogo contra o Flamengo é coisa de gente de cabeça pequena. Ao invés de se preocupar com o dentuço, tem que mobilizar o time. A melhor maneira de fazer o rejeitador se sentir mal não é xingando-o: é mostrar que está muito melhor sem ele.
Mas não é o que os torcedores gremistas querem. Estes que reclamam são aqueles que, no início do ano, só faltavam mandar flores e fotos peladas para o jogador, como uma tentativa de trazê-lo novamente para o tricolor gaúcho.
Fora que, convenhamos, quem desses que querem o rim do gaúcho nunca fez nada de mal a ninguém? Nunca iludiu uma guria? Nunca fez ceninha para conseguir algo melhor em outro lugar? É aquela coisa de “na vida real tudo isso pode, mas contra o meu time não, porque o meu time é maior que tudo nessa vida”? Ah! Vão tomar no cu.
É por essas e outras que o Grêmio está há anos sem conquistar um título nacional. Fica se preocupando com essas besteiras.
A maldita falta de humor
Posted on October 23, 2011
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O Movimento da Inveja continua no Brasil. A bola da vez – ou a gostosa da vez – é a top Gisele Bündchen. Primeiro, foi uma galerinha se irritar com a propaganda da guria para a empresa Hope. Agora, estão tocando o terror contra o comercial da Sky. O motivo? Porque, para as duas marcas, ela passa a imagem de ser uma mulher gostosa e submissa e isso é inadmissível.
Para uma modelo, diga-se. Porque o Movimento da Inveja não entrou até agora contra as propagandas de cervejas. Nelas, sim, as mulheres são submissas. Para cada homem, pelo menos umas cinco gostosas. Se fosse no mundo árabe, seriam 72 virgens. Mas não estou aqui para discutir os problemas culturais.
O que dá para entender é que, desta vez, escolheram a Gisele Bündchen como a traidora do movimento feminista. Não que eu concorde com essa história de só colocar mulher gostosa para vender determinado produto. Mas sou, sim, favorável ao humor simples.
Está faltando humor nessa bodega toda. Sim. Os dois comerciais usam o humor para vender o produto. Se é de bom tom, aí cabe aos especialistas, mas está na hora de ter um pouquinho mais de sagacidade.
Imagina se, nos Estados Unidos, houvesse um Movimento dos Vozes Finas? Apedrejariam o Anderson Silva por isso?
Ou, sei lá, se aqui no Brasil os bregas se revoltassem? O que seria do Beto Barbosa?
Estou falando merda? É possível. Agora vão querer tirar meu blog do ar também? Ou será que não se pode mais ver as coisas com um pouco mais de humor? Esse pessoal, já que é todo dos bons costumes, poderia se preocupar com essa onda de humor sem graça na televisão. Isso sim é grave.
E tenho dito
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